InícioBrasilFrigorífico da "Picanha do Mito" recebe multa milionária por vender carne estragada

Frigorífico da “Picanha do Mito” recebe multa milionária por vender carne estragada

Bolsonaristas donos do Frigorifico Goiás foram multados em R$ 11,3 milhões após Procon encontrar carne estragada. No dia da eleição, eles venderam picanha a R$ 22.00 o quilo.
Na confusão uma mulher morreu.

Os bolsonaristas donos do Frigorifico Goiás, que fez uma promoção de venda de ‘picanha do mito’ a R$ 22 o quilo, numa alusão ao apelido que apoiadores dão ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao número do candidato, no último domingo (2), dia do primeiro turno da eleição, foi multado pelo Procon do estado em valores que variam de R$ 754 a R$ 11,3 milhões, por venda de carne estragada.

A fiscalização do Procon foi até o local por estranhar o valor muito abaixo do quilo da picanha normalmente comercializado a R$ 129,99 na região, e na ação flagrou a comercialização de 50 quilos de carnes estragadas, impróprias para o consumo. Foram apreendidos mais de 44 quilos de carne refrigerada sem informações sobre a data da embalagem e o prazo de validade, além de 5,5 quilos de carne e dez unidades vencidas de tempero e suco de laranja. Os alimentos e bebidas foram descartados no local.

Promoção política

O Frigorifico estabelecido em Goiânia, só venderia a picanha pelo preço promocional aos clientes que fossem ao local vestidos com camisas amarelas, normalmente associadas às da seleção brasileira e aos seguidores do presidente.  

No mesmo dia, o juiz eleitoral Wilton Muller Salomão determinou a suspensão da promoção e da divulgação da venda. “A venda de carne nobre em preço manifestamente inferior ao praticado no mercado, no valor de R$ 22, revela indícios suficientes para caracterizar, em sede de um juízo não exauriente, conduta possivelmente abusiva do poder econômico em detrimento da legitimidade e isonomia do processo eleitoral”, escreveu o magistrado.

Crime eleitoral

Segundo o advogado Antonio Megale, do escritório LBS, a venda da picanha a R$ 22, pode ser sim considerada indício de propaganda eleitoral.

“Uma pessoa jurídica não pode fazer campanha, de forma direta ou indireta. Para a identificação de propaganda eleitoral, a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral lista alguns critérios e um deles são os meios e circunstâncias subliminares, como ocorreu”, diz.

“O frigorífico pode ser multado e instado a deixar de fazer a campanha. Além disso, comprovada a participação da campanha do candidato, poderá haver também multa e até a cassação do registro ou diploma do candidato diretamente beneficiado pela interferência do poder econômico ou pelo desvio ou abuso do poder de autoridade ou dos meios de comunicação”, complementa.

A legislação veda, explica, que pessoas jurídicas financiem campanha eleitoral. O apoio pode ser interpretado como propaganda indireta e financiamento. A vedação se dá a partir da Lei nº 13.165/2015, que alterou a Lei nº 9.504/1997, Lei das Eleições, reiterando as decisões do STF sobre o tema. Para que haja responsabilização tanto da empresa quanto da campanha, é necessário denunciar o fato ao Ministério Público Eleitoral, que investigará e encaminhará a denúncia a um juiz eleitoral.

Frigorífico e cantor Gusttavo Lima condenados

Na segunda-feira (3), o Ministério Público Eleitoral acionou o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás para que o cantor sertanejo Gusttavo Lima e a Casa de Carnes Frigorífico Goiás, a mesma da promoção da picanha,  sejam condenados ao pagamento de multa de R$ 20 mil por propaganda eleitoral irregular. A ação está ligada ao uso, em maio, de um helicóptero totalmente adesivado nas cores verde e amarelo, com a mensagem ‘Bolsonaro Presidente’.

Para o Procurador Regional Eleitoral auxiliar, José Ricardo Teixeira Alves, o Frigorífico Goiás e Gusttavo Lima são responsáveis pelo ilícito eleitoral. O primeiro como proprietário do helicóptero e o segundo como cantor de fama nacional e internacional que cedeu sua imagem à empresa e dela fez uso extensivo nas circunstâncias do caso”, explicou.

Gusttavo Lima informou que, à época, ele e o frigorífico tinham um contrato de uso de imagem, que posteriormente foi rescindido.

Mulher morre após ser pisoteada

Na hora da venda houve confusão, corre-corre e Yeda Batista da Silva, de 46 anos, foi pisoteada. Apesar de ter sido socorrida pela polícia militar ela morreu no hospital. A Polícia Civil de Goiás trata o caso como morte acidental.

Em entrevista ao G1, o marido de Yeda disse que ela teve a perna prensada e gritava de dor. A perna dela inchou muito. “No hospital, descobrimos que uma veia estourou e provocou hemorragia. Nem deu tempo de fazer cirurgia para salvá-la”, desabafou o marido, Wanderley de Paula Dias.

Uma funcionária do Frigorífico Goiás disse por telefone, ao portal, na última terça-feira (4), que a empresa não vai se manifestar sobre o caso.

Outras Notícias

spot_img