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Agosto Lilás: aos 20 anos, Lei Maria da Penha segue essencial para proteger as trabalhadoras

História da metalúrgica Daniela Pinheiro da Silva reforça a urgência da mobilização contra a violência doméstica

Agosto é o mês de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. Neste ano, o Agosto Lilás tem um significado ainda mais importante: a Lei Maria da Penha completou 20 anos no dia 7 de agosto.

Criada em 2006, a legislação estabeleceu medidas de prevenção, assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica. Sua aprovação foi resultado da coragem das vítimas e da mobilização dos movimentos de mulheres, organizações populares e entidades comprometidas com os direitos humanos.

Mas, duas décadas depois, a violência continua interrompendo vidas. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, 741 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil entre janeiro e junho de 2026.

Cada número representa uma mulher, uma família e uma história interrompida. Para as trabalhadoras de Extrema, Itapeva e Camanducaia, essa realidade também está próxima.

A história de Daniela permanece viva

Um dos casos que marcaram nossa região foi o de Daniela Pinheiro da Silva, jovem metalúrgica de Extrema vítima de feminicídio em 2018.

Em sua memória, foi inaugurada em março de 2026 a Sala Borboleta, espaço de acolhimento humanizado para mulheres de Extrema em situação de violência ou vulnerabilidade.

O local recebeu o nome de Daniela para que sua história não seja esquecida e para que outras mulheres encontrem acolhimento, orientação e proteção.

Mais do que uma homenagem, manter viva a memória de Daniela significa assumir o compromisso de lutar para que nenhuma outra trabalhadora tenha sua vida interrompida pela violência.

Agosto Lilás também deve chegar aos locais de trabalho

A violência doméstica não fica do lado de fora das fábricas. Ela afeta a saúde física e emocional, prejudica a renda e pode dificultar que a mulher mantenha o emprego ou consiga romper com o agressor.

Por isso, o Agosto Lilás também precisa estar presente nas portas de fábrica, nas assembleias, nas CIPAs e nas mesas de negociação. Não basta iluminar prédios de lilás: é necessário garantir acolhimento, orientação, sigilo e proteção concreta.

O movimento sindical deve lutar pela inclusão de cláusulas nas convenções coletivas que protejam as trabalhadoras em situação de violência, assegurando condições para buscar atendimento médico, registrar denúncias, solicitar medidas protetivas e receber acompanhamento jurídico e social sem colocar o emprego em risco.

Também é necessário cobrar responsabilidade das empresas e mais investimentos públicos nas delegacias especializadas, casas de acolhimento e demais serviços da rede de proteção.

Nenhuma mulher pode ser obrigada a escolher entre preservar o emprego e proteger a própria vida.

Neste Agosto Lilás, reafirmamos que a união das mulheres fortalece a luta contra a violência. Defender a Lei Maria da Penha é defender a vida, a dignidade e a autonomia de todas as trabalhadoras.

Nenhuma trabalhadora sozinha. Nenhuma violência tolerada. Nenhuma mulher a menos!

Precisa de orientação ou conhece alguém em situação de violência? Ligue 180. Em caso de emergência ou risco imediato, acione a Polícia Militar pelo 190.

Fontes

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